sábado, 12 de abril de 2014

Confusos delírios e incontidos desabafos

É impulsivo. Chega ser impetuoso: meus pensamentos se confundem na busca de uma resposta pelo que sinto.

E o que sinto? É isso que minha alma busca ao sair do corpo e flutuar sem direção...

As palavras ecoam, as vozes se misturam, as cores transformam-se em borros.

Uma vertiginosa e angustiante sensação de incerteza, medo e solidão me acometem.

Está tudo errado - penso. Será que não...? Porque não? Sou eu? É comigo o problema?

Então surge algumas respostas: sim, não, talvez.

Todas tão hipotéticas, irrelevantes e patéticas que se perdem pela simplicidade e invalidam-se pela complexidade.

As vezes, tudo que quero é esconder-me embaixo de uma coberta, sozinho, num canto, em silêncio e no escuro.

E, de repente, ser abraçado por alguém que me notou, sentiu minha falta e entrou ali embaixo comigo para dizer: Hey, eu te vi, senti sua falta. Estarei com você nessa e em outras que precisar.

Há, outras vezes, que quero pegar aquela mesma coberta e fazê-la de capa, como a de um super-herói, e sair por aí, mudando o mundo com o conhecimento, com a cosciência e amor.

É isso: essa utopia, carência, romantismo e idealismo que me consomem. É refletir e pensar, repensar, desconstruir e critizar que me tornam... um perigoso e estranho ser.

Pego-me em meio a devaneios e a tentativa quase asfixiante de refletir sobre minha vida, percepções, desejos e sentimentos, através das palavras, da escrita... Mas tudo se confundo outra vez.

Fecho os olhos para ver se tudo isso termina, tento desesperadamente para de questionar, esquecer as premissas iniciais, mas é tarde demais: meu cosnsciente foi morto pela inconsciência mais presente e menos enigmática que transformei em vilã dentro de mim.

Busco me refugiar em orações, na ansia de apenas crer e sonhar com prudência, comedimento e - se é possível - realismo.Não consigo.

Frustro-me comigo. Frustro-me com alguém, com o outro, com todos e quero, apenas quero, encontrar "o especial" no mundo, e tornar-me amigo dele, tornar-me parte dele.

E me expresso, extravaso em verbos, disperdíço frases, contenho clichês, e não encontro as respostas.

Estarão num livro sagrado? Alguém descobrira e ocultara? Saberei um dia como sentir, amar, sonhar e viver sem me ferir?

Tudo se faz comum, incoerente, pecaminoso e inconstante como eu.

Sorrio por reconhecer ao menos isso: que não sei quem sou, o que quero, serei ou farei para ser feliz, para viver a tal da felicidade plena, mas, soube, ontem, que posso me definir com esta imprecisão: comum, incoerente, pecaminoso e inconstante.

E o silêncio prossegue com a confusão. Impulsivo e impetuoso, como o tempo que me fere, me apressa e abandona-me.
Gabriel Moreira de Santana